Media kit: o documento que a marca pede, e o que ele precisa ter além de números
Por Tiago Costa·Atualizado em 5 de agosto de 2026

Definição
Media kit é o documento que apresenta o criador para marcas.
- Responde de uma vez o que a marca perguntaria por mensagem.
- Audiência importa mais que o número de seguidores.
- Precisa ter caso e preço, não só métricas.
- Curto e atualizado, ou não serve.
O que ele precisa ter
Uma página resolve, duas no máximo. Seis blocos cobrem tudo:
- Quem você é, em uma frase. Nicho e ângulo, não biografia.
- Quem é a audiência. Demografia, localização e principalmente o interesse que une essas pessoas. É o bloco que a marca mais lê.
- Números. Seguidores, alcance médio, taxa de engajamento e alcance de não seguidores. Média dos últimos noventa dias, não o melhor mês.
- O que você entrega. Formatos, prazos, número de revisões.
- Casos. Marcas com que já trabalhou e, quando possível, resultado.
- Como falar com você. Um contato só, direto.
Por que o número de seguidores não é o principal
Muito media kit abre com o total de seguidores em corpo gigante, e isso comunica a coisa errada.
Quem contrata não está comprando tamanho, está comprando acesso a um público específico. Uma conta de oito mil pessoas de um nicho definido é mais interessante, para a marca certa, que uma de cinquenta mil difusa.
Por isso o bloco de audiência deveria vir antes do bloco de números. Se a marca não reconhece o público dela ali, o resto do documento não importa.
E vale incluir a taxa de engajamento mesmo quando a audiência é pequena, porque nas faixas menores ela costuma ser o argumento mais forte que existe.

Colocar preço ou não
É a dúvida mais comum, e a resposta tem duas partes.
Colocar faixa de preço filtra conversa e economiza tempo dos dois lados. Marca sem orçamento não abre negociação, e você não gasta uma semana em conversa que não ia dar em nada.
Não colocar preserva margem para precificar caso a caso, o que faz sentido quando os projetos variam muito.
O caminho intermediário que costuma funcionar é apresentar pacotes com faixa a partir de, deixando claro o que altera o valor: quantidade de entregáveis, prazo apertado, exclusividade e principalmente direitos de uso em anúncio. Esse último é o item que mais muda o preço e o mais esquecido.
Erros que fazem o kit ser ignorado
- Dados desatualizados. Kit com número de seis meses atrás é pior que kit nenhum, porque a marca confere.
- Só o melhor mês. Mostrar o pico e não a média quebra na primeira campanha, quando o resultado não se repete.
- Longo demais. Dez páginas de design não são lidas. Uma página objetiva é lida inteira.
- Sem o que você entrega. Muitos kits mostram métricas e não dizem o que a marca recebe.
- Arquivo pesado ou link quebrado. Detalhe bobo que mata a conversa antes de começar.

Checklist
- Cabe em uma página, no máximo duas.
- O bloco de audiência vem antes do de números.
- Uso média de noventa dias, não o melhor mês.
- Está claro o que entrego, com prazo e revisões.
- Direitos de uso em anúncio estão explicitados no preço.
Perguntas frequentes
O que é um media kit?
É o documento que apresenta um criador para marcas: quem ele é, quem é a audiência, o que entrega e quanto custa. Existe para responder de uma vez as perguntas que a marca faria por mensagem.
O que incluir num media kit?
Quem você é em uma frase, quem é a audiência com demografia e interesse, números com média de noventa dias, o que você entrega com prazo e revisões, casos de marcas anteriores e um contato direto.
Devo colocar preço no media kit?
Colocar faixa filtra conversa e economiza tempo dos dois lados; não colocar preserva margem para precificar caso a caso. O meio termo que funciona é apresentar pacotes a partir de, explicitando o que altera o valor.
Influenciador pequeno precisa de media kit?
Precisa, e talvez mais que os grandes. Nas faixas nano e micro quase ninguém tem, então quem tem parece mais profissional. E é onde a taxa de engajamento, que costuma ser alta, pode ser apresentada como argumento principal.
Com que frequência atualizar o media kit?
A cada trimestre, ou sempre que houver mudança relevante de audiência ou de portfólio. Kit com número de seis meses atrás é pior que kit nenhum, porque a marca confere os dados antes de fechar.
Conceitos relacionados

Influenciador
Influenciador é quem consegue mover a decisão de outras pessoas dentro de um tema, seja ela de compra, de opinião ou de comportamento. O mercado organiza a categoria por faixas de seguidores, e essa divisão é útil para orçamento, mas ela descreve tamanho de audiência e não influência. Existe conta de milhão que não vende nada e conta de cinco mil que esgota estoque.
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Micro-influenciador
Micro-influenciador é a faixa de audiência entre aproximadamente dez mil e cem mil seguidores. Ela virou o padrão de mercado por um motivo econômico e não estético: nessa faixa a conta já tem alcance relevante e ainda tem engajamento e credibilidade altos, o que produz o melhor custo por resultado da escala. Os limites variam entre agências, e a faixa é convenção, não regra.
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Publi
Publi é a abreviação de publicidade usada no mercado brasileiro de criadores para designar a publicação paga: o criador recebe para falar de um produto no perfil dele. Ela é diferente do post impulsionado, que é a marca colocando dinheiro para distribuir a própria publicação, e essa confusão aparece toda semana. Publi precisa ser declarada, e a etiqueta nativa é a forma de fazer isso.
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Taxa de engajamento
Taxa de engajamento é o percentual de pessoas que interagiram com um conteúdo em relação a uma base de comparação. Existem duas fórmulas de uso corrente: interações divididas por seguidores, que mede a resposta da base, e interações divididas pelo alcance, que mede a qualidade da entrega. As duas respondem perguntas diferentes e produzem números diferentes para o mesmo post, então o que importa é declarar qual foi usada antes de comparar qualquer coisa.
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